A velha bossa

20out09

Se os vídeos apresentados pelo Brasil ao Comitê Olímpico Internacional durante a escolha da sede dos Jogos de 2016 se “esquecem” das favelas cariocas, os traficantes fizeram questão de lembrar o mundo – e o próprio Brasil – de que elas continuam lá, no lugar onde sempre estiveram.

Ninguém espera que uma campanha publicitária mostre o que o produto tem de ruim, mas as imagens que correram o mundo neste fim de semana a desqualifica a ponto de parecer uma fraude barata. Dos ônibus incendiados e helicóptero abatido parece não sobrar nada da cidade maravilhosa, alegre e acolhedora apresentada ao som de bossa nova em Copenhague.

O Rio de Janeiro talvez esteja prestes a descobrir o outro lado de se estar em evidência. Se sua escolha para sede das Olimpíadas abre um potencial gigantesco do ponto de vista da promoção da cidade no mundo, também o coloca sob permanente escrutínio da mídia internacional. Falhas não serão perdoadas.

O lado bom dos últimos acontecimentos, se é que existe um, é o choque de realidade. É bom que as pessoas não se deixem levar pelo marketing do Brasil para gringo ver, porque esse Brasil não existe nem no esboço da realidade.

Não tenho a menor dúvida de que o Rio vai conseguir realizar as Olimpíadas com razoável competência. Durante os vinte e poucos dias de evento, a cidade estará limpa e segura, com o tráfico sob controle. Os turistas vão gostar e poderão até voltar. Mas, para as pessoas que ficam, o vídeo será outro.

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2 Responses to “A velha bossa”

  1. 1 Alexandre Inacio

    O poder da edição é realmente incrível. A tecnologia que permite cantores medíocres se tornarem grandes tenores consegue fazer com que favelas sumam dos lugares de onde nunca saíram. Hoje cedo ouvi um comentário de que os moradores dos morros poderiam criar cooperativas para alugar as casas para os jogos olímpicos, com o apelo da paisagem. A ideia é boa, só falta combinar com os traficantes ou contratá-los para fazer a segurança dos turistas

  2. É isso ai. Cidade maravilhosa, cheia de problemas mil.
    Não fiquei feliz nem triste quando o Rio foi escolhido para ser sede das Olimpíadas. Precisavam de um país sul-americano, o Brasil vem crescendo em importância política e econômica e, além disso, há o incontestável carisma de Lululá. Agora é cuidar para o morro não vir abaixo durante os jogos…
    Queridão, parabéns pelo blog, A-MEI! bjs


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