Vestidinho da discórdia

09nov09

A decisão da Uniban de expulsar Geisy Arruda, a aluna que provocou a fúria dos colegas por ir à aula trajando um microvestido rosa, me remete aos mais absurdos moralismos que já vi e com os quais convivi nos meus tempos de igreja.

Mas me causa, de longe, muito mais estranheza.

Porque é de se supor que nos meios religiosos haja um padrão moral ótimo a ser perseguido pelos crentes e que sua violação, se tolerada, represente algum tipo de ameaça a sua manutenção. 

Mas à universidade não cabe outro papel senão o de combater essa intolerância, de ser um espaço promotor do conhecimento, da convivência e do contraditório. O preconceito de qualquer natureza fere sua razão de existir.

Por isso a reação fundamentalista dos alunos ao vestido curto é tão mais condenável do que o alegado “desrespeito à dignidade acadêmica e à moralidade” em que a Uniban se apoiou para expulsar a vítima e poupar os agressores.

Ao punir Geisy, a Uniban dá um tiro no pé: desperdiça a chance de transformar um episódio amplamente desfavorável para sua imagem em objeto de debate e algum amadurecimento intelectual de seus alunos. Mas aí, nenhuma surpresa: essa nunca foi mesmo a sua vocação.

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