Tiraram o filho de FHC do armário

16nov09

FHC / ENTREVISTAA jornalista Mônica Bergamo revelou ontem que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vai finalmente reconhecer o filho que tem com a jornalista da TV Globo Mirian Dutra.

A grande imprensa nunca se interessou em revelar a existência de Tomas Dutra Schmidt, hoje com 18 anos. A exceção foi a revista Caros Amigos, que há anos questiona o porquê da omissão.

Os jornalistas que poderiam ter dado a informação argumentam que o assunto era pessoal e que, como tal, não tinha de ser levado a público.

À primeira vista, parece razoável. Em tese, aspectos pessoais da vida de um homem público só deveriam ser alvo de interesse geral à medida que afetassem sua atuação como homem público.

Assim, um ministro de Estado pode sair com quem quiser, mas tem de dar esclarecimentos se tiver um romance com a titular de uma pasta para quem libere verbas. Do mesmo modo, o presidente da República pode tomar umas doses a mais vez ou outra, desde que não tome decisões sob efeito do álcool ou apareça embriagado em alguma reunião.

Os americanos são muito mais rígidos com relação à vida privada de seus governantes. As escapadas de Bill Clinton com Monica Lewinsky quase lhe renderam a perda do mandato.

Talvez não fizesse muito sentido no Brasil, mas fazia todo sentido em uma sociedade com valores puritanos tão enraizados: afinal, a vida particular não me diz coisas importantes sobre o caráter do meu governante?

Se sim, a mídia tem o dever de fiscalizar tudo, se é casado, solteiro, homossexual, se dá em cima da mulher do outro, se reconhece filhos fora do casamento, se bebe, fuma ou usa drogas ilícitas.

Afinal, eu tenho o direito de não querer um presidente que possa a ser alvo de escândalos sexuais ou preferir um presidente católico a um presidente ateu.

Mesmo por que os marqueteiros geralmente exploram o bom mocismo dos candidatos durante as eleições: “este é fulano de tal, casado há 20 anos, três filhos, bom pai, bom marido”. Se aspectos da vida privada podem ser publicados quando favorecem o político, não deveriam ser também explorados quando o desfavorecem?

Se FHC não assumiu legalmente o filho que sempre reconheceu ser seu, é porque julgou se tratar de um fato moralmente reprovável e com possíveis implicações sobre sua então promissora carreira política. E quem se esconde de tais preconceitos, de alguma maneira os legitima.

De todo modo, reconheço que a publicação ou não da história sobre o filho bastardo do presidente é alvo passível de discussão. Apenas não se discute que a mídia esteve longe de ser tão cuidadosa e condescendente quando os atores e os interesses foram outros.

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