Saída à mineira

21dez09

Não sou um grande entendido nas coisas da política, mas parece que Aécio Neves acertou ao desistir da disputa pela indicação do partido ao pleito presidencial de 2010.

Antes de tudo, foi uma estorricada em José Serra que, contra a própria vontade de adiar ao máximo o anúncio de sua candidatura, pode ser obrigado a antecipar os planos.

Líder nas pesquisas de intenção de voto, o governador de São Paulo não tinha por que se expor já aos desgastes de uma campanha.

Ao contrário da presidenciável petista, Dilma Rousseff, que corre contra o tempo a fim de ser conhecida pelo eleitorado e identificada como a “candidata do presidente”, Serra é um nome consolidado e com índices bem toleráveis de rejeição.

Seu calcanhar de aquiles ainda se chama Fernando Henrique Cardoso. Embora bem avaliado como ministro da Saúde, Serra foi figura importante de um governo que acabou mal.

O que o PT sonha fazer com sucesso em 2010 é convencer o eleitorado de que a escolha do próximo presidente é um plebiscito entre as duas forças que se revezaram no poder nos últimos 16 anos – PT e PSDB, sob as figuras de Lula e FHC. É o tal “nós contra eles” a que o presidente Lula se referiu dia desses.

A estratégia já deu certo em 2006, quando o PT conseguiu colar em Alckmin as privatizações do Governo FHC, do qual, a rigor, Alckmin não fez parte. Serra, na cabeça dos marqueteiros do PT, seria uma presa ainda mais fácil.

Com Aécio poderia ser diferente. Político jovem e de boas relações com Lula, sem participação no governo FHC, ele podia encarnar um discurso de mudança sem muito compromisso com experiência tucana no poder. Aécio dizia não ser contra ou favor de Lula. Ele queria ser a alternativa “pós-Lula”.

Aécio podia ter insistido na disputa dentro do partido, com chances razoáveis de vencer. Alckmin o fez em 2006. Mas, na hora do vamos ver, pagou um preço alto por dividir o partido e se colocar no caminho de Serra. Aécio optou por outro caminho: deu ao governador paulista a faca e queijo na mão.

Entre entrar enfraquecido em um pleito que promete ser complicado e sair por cima, pensando no futuro, Aécio não titubeou.  

Em tempo. As últimas pesquisas mostram que Serra está estacionado nas intenções de voto e que a vantagem sobre Dilma está gradualmente caindo. É muito difícil, mas numa dessas Aécio ainda volta como salvador da Pátria.

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