Deixem o Boris em paz

08jan10

A declaração de Boris Casoy sobre os garis não foi pública, embora tenha desastradamente vazado para o público. Essa diferença deveria ser levada em conta por quem pede a cabeça do jornalista da Band.

Boris merece ser julgado pelo que fala enquanto jornalista no exercício consciente de sua função, sendo elogiado ou criticado pelas posições que assume enquanto a câmera está ligada. 

Essa condição se desfaz quando ele sai do ar. A partir desse momento, o que pensa e fala sobre garis, motoristas, faxineiras, operadores de telemarketing e blogueiros desocupados não têm qualquer relevância. 

Como quem tem uma enorme responsabilidade nas mãos, Boris Casoy pecou pelo descuido. Mas isso não justifica a cruzada moralista de que está sendo vítima.

Custa crer que aqueles que inundaram a rede com mensagens perplexas e indignadas contra seu suposto preconceito de classe sejam assim tão politicamente corretos, pudicos, respeitosos e solidários em seus momentos privados de descontração.

Se as pessoas de fato respeitassem e defendessem os direitos dos varredores de rua com o mesmo afinco com que avançam sobre o pescoço do jornalista, a profissão de gari não seria, por assim dizer, “a mais baixa da escala de trabalho”.

Mas em geral as pessoas se sentem muito bem consigo mesmas quando se manifestam em defesa dos fracos e oprimidos contra um membro perverso e cruel da “elite dominante”. É uma forma muito popular de expurgar os próprios preconceitos.

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2 Responses to “Deixem o Boris em paz”

  1. 1 Godoy

    Cara!

    Seu comentário “Deixem Boris em paz” é pequenininho, insignificante, tão superficial quanto aos de milhares que gritaram impropérios ao jornalista. Este, pelo menos, fizeram uma catarse do “bem contra o mal”, seja o mal de quem for (neste caso, o “mal” é o Boris).
    E você, não quis racionar um pouco além e tentar achar o motivo de tanta revolta coletiva?
    Já pensou, por exemplo, se isto não foi causado porque o Boris é um “equívoco” do jornalismo? Afinal, quando ele, como âncora de jornal, faz seus comentários, emite opiniões pessoais, faz suas antipáticas “pregações”… o que ele é neste momento? Jornalista??? Pregador??? Pastor??? Sacerdote??? Com que direito ele faz isso, em um noticiário cuja missão é trazer a noticia, informar…e não catequizar?
    Este é o seu pecado… que o está tornando um alvo de xingações, indignação, etc.

    • Godoy, análise e opinião não apenas fazem parte do jornalismo, como são desejáveis quando expressas de maneira franca e aberta. Você confunde imparcialidade com isenção. A prática jornalística não é imparcial, mas pode ser isenta. O âncora pode manifestar sua visão dos fatos, desde que essa opinião não esteja comprometida com interesses que o público desconhece.
      Acho que você não entendeu, mas vou deixar claro: as pessoas têm todo o direito de julgar as opiniões do Boris Casoy e seu trabalho como jornalista, mas acho realmente injustificável tanto espanto e indignação por causa de uma frase dita fora do ar. A contrário do que argumenta, não me furto a tentar achar o motivo dessa revolta toda: é hipocrisia mesmo. Simples assim. Hipocrisia de um monte de gente que não se sente nem um pouco constrangida em ingressar nas fileiras “do bem” na luta “contra o mal”, embora devesse. Abraços.


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