Brasil, Irã e a nova ordem

19maio10

Se houve ingenuidade do presidente Lula e da diplomacia brasileira no acordo assinado com o Irã, como acusam os países ricos e boa parte da mídia, não foi em acreditar que os iranianos de fato estejam dispostos a cumprir os termos propostos. Ao contrário, foi achar que as grandes potências, Estados Unidos à frente, realmente querem uma saída pacífica para o imbróglio envolvendo o programa nuclear do país persa.

Que não restem muitas dúvidas: o Irã é o próximo alvo. Se os Estados Unidos possuem hoje condições políticas, econômicas e morais para dar início a uma nova empreitada militar, é outra história. Mas a disposição norte-americana de fazer do Irã a ameaça à paz mundial parece pouco suscetível a dúvidas.

Contudo, há pouco espaço para inocência nessas questões da diplomacia internacional. Custo crer que o Brasil realmente acreditava que o acordo firmado com o Irã seria aplaudido pela “comunidade internacional”. O que existe são estratégias, certas ou erradas, bem ou mal-sucedidas, para se chegar aonde quer.

O Brasil, em sua ambição de tornar-se uma potência global não apenas econômica, mas também política, quer se mostrar e ser visto como tal. Para isso, terá de se posicionar cada vez mais sobre temas que, até pouco tempo atrás, simplesmente não lhe dizia respeito.

E se posicionar significa, dentro de certos limites, questionar quem está no comando – e também se colocar em posição de receber críticas. Alinhar-se dócil e automaticamente a toda e qualquer proposição dos Estados Unidos não combina com quem prega a necessidade de uma nova ordem mundial.

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One Response to “Brasil, Irã e a nova ordem”

  1. 1 Paco

    “O que existe são estratégias, certas ou erradas, bem ou mal-sucedidas, para se chegar aonde quer”. Disse tudo com isso. Na verdade essa balela de taxar o Lula de “ingênuo” é a boa e velha apologia pró-império da subserviente veja. Ele apenas está fazendo o óbvio na sua posição, dados os interesses em jogo e a posição. Pior é que eles sabem que se trata de estratégia geopolítica de médio prazo (tudo se resume à nova Estratégia Nacional de Defesa), mas precisam pintar de uma maneira negativa de qq forma pq bem, assim se joga o jogo (política). O Brasil acha que vai virar uma potência – enqto dorme no ponto em questões econômicas e institucionais fundamentais -, e os milicos querem ganhar prestígio nesse ponto (“Brasil potência nuclear”, o último que faltava dos BRICs…). O BRIC não é e nem vai ser um bloco consolidado, exceto eventualmente em algumas questões, continuaremos apenas uma sombra atrás da China neste século. Mesmo que ainda cresça vegetativamente em importância agora nos próximos anos, não nos tornaremos isoladamente algo mto mais expressivo que a Austrália hj. Até vamos nos consolidar com o tempo como liderança regional, mas não mto mais que isso. É apenas um ajuste de forças num momento em que os EUA já não são mais uma super-potência, mas apenas a maior relativamente (um dia Bretton-Woods tinha que saturar, né?). Só me pergunto se os russos não cobraram algo do Brasil na hr de apoiar o acordo, faturaram seja lá o que for, se já tinham costurado ali na frente, desde o começo, que não vetariam as sanções no UNSC (ou seja, do outro lado, tb estavam cobrando algo da Hillary) que já afundaram a brincadeira turco-tupiniquim logo em seguida… ou seja, devem ter agido como atravessadores e lucrado dos dois lados com o negócio… sou fã daquele cara… hummm…


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