Sobre a crueldade de escolher

16dez10

Quem nunca parou um instante para imaginar como seria sua vida caso as escolhas do passado fossem outras?

Seria mais realizado se tivesse estudado medicina em vez de ciências sociais? Ou, ainda, se tivesse feito as malas, abandonado tudo e viajado pelo mundo?

Mais feliz se tivesse tido a coragem de se declarar para a garota dos seus sonhos? Se tivesse sido mais racional ou, ao contrário, se deixado guiar mais pelo coração?

Se levasse o desaforo para casa em vez de revidar, escolhesse melhores companhias, aproveitasse mais e se preservasse menos?

Pense nas experiências que não viveu, nas pessoas que não conheceu, nos amores que não experimentou.  

Teria valido a pena abrir mão da sensação de controle e se lançar de cabeça?

As perguntas, quase sempre acompanhadas de algum arrependimento, atestam apenas uma coisa: as escolhas são, mais que difíceis, cruéis.

Pois apenas a vida que se vive é revelada, com suas alegrias e tristezas, surpresas e frustrações.  

O que há na outra caixa permanece oculto, mas assombra enquanto objeto de idealização.

E aí reside a crueldade das escolhas: a vida que não vivi parece irremediavelmente mais interessante do que aquela que me trouxe até aqui.

O que em si parece ser um equívoco monstruoso.

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3 Responses to “Sobre a crueldade de escolher”

  1. 1 sandra leite

    eu adoro esse texto, náo sei porque 🙂 Feliz 2011 e que Paris se faca constante todos os anos…. bjs

  2. 2 Lusa

    Nossa, Gersão

  3. 3 Tatrix

    Mas a vida nos leva exatamente onde deveríamos estar, eu acho. Quando olho para trás, não me arrependo de nada do que aconteceu na minha vida. E tento, sempre que possível, fazer que eu tbem não me arrependa das coisas que não aconteceram. Não casei, não tive filhos, não ganho bem, como fizeram alguns parentes e amigos. Mas subi, pela escada, até o segundo andar da Torre Einfel, com uma temperatura congelante. Assisti uma Missa do Galo em Veneza, outra missa em Notre Dame, vi o por do sol em San Diego, peguei meus sobrinhos no colo, pintei um quadro… Não trocaria minha vida, nem minhas escolhas, por nada, por nenhuma outra vida.


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