A morte de Bin Laden e a segurança do mundo

09maio11

As capas de todas as revistas semanais destacam Osama Bin Laden. De modo geral, tentam responder como fica o mundo após a morte daquela que foi a personagem mais importante da última década.

Obviamente o rigor desse tipo de análise se perde em meio à nebulosidade das circunstâncias, tanto da morte quanto da vida do terrorista. Se é que estava vivo, que papel Osama efetivamente exercia quando foi ceifado pelos soldados norte-americanos?

Nos últimos anos, o terrorista se notabilizou sobretudo pela ausência. Foi dado como morto ao menos duas vezes. E não reivindicou a autoria de nenhum atentado importante depois de 11 de setembro de 2001, quando as Torres Gêmeas vieram abaixo.

É provável que seja mais perigoso agora, como mártir, do que fora em vida nos últimos anos, o que já é senso comum. É o suficiente para relativizar a afirmação do presidente Barack Obama de que o mundo ficou mais seguro após o assassinato do saudita. 

Parece mais seguro afirmar que o mundo tenha mesmo é se deteriorado. Não apenas pelas reações que a morte de Bin Laden pode suscitar no mundo islâmico, mas pela forma como os Estados Unidos retrocederam em seu discurso.

Nada tão lamentável quanto a transformação a que Barack Obama se submeteu, com o objetivo de se reconciliar com a América profunda.

O presidente despiu-se de uma retórica conciliatória e iluminista, que lhe garantiu o Nobel da Paz em 2009, para vestir o uniforme de justiceiro texano. Em 2008, era a antítese de Bush Jr., e, por essa razão, esperança de um mundo melhor.

No poder, recrudesceu-se a ponto de não mais se reconhecer no candidato que encantou o mundo. Hoje, o democrata se vende como aquele que cumpriu a missão de seu antecessor: capturar o bandido, vivo ou morto.

Ambos ignoraram sumariamente os tratados internacionais e os direitos humanos para cumprir seus objetivos. Bush ao menos forjou um julgamento para o seu bandido. Obama ordenou uma execução e desapareceu com o corpo.

E, como se não fosse suficiente, manteve viva a ameaça: Bin Laden pode estar morto, mas a Al-Qaeda continua a atentar contra os Estados Unidos. Neste cenário, é impossível concluir que o mundo tenha se tornado um lugar mais seguro.

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2 Responses to “A morte de Bin Laden e a segurança do mundo”

  1. 1 Arlete

    Confesso que no primeiro momento duvidei da veracidade da informação de Obama. Ao refletir, cheguei a conclusão que Obama não sacrificaria sua reeleição por conta de uma anedota. Mas, sinceramente, o mundo precisa ver as fotos. E estas virão a tona em algum momento, pode ser no fim da era Osama, na corrida pela sucessão, mas virão…e eu quero ver.

  2. 2 sandra leite

    e o mundo volta a ficar em perigo. mais um texto da série ” por que eu não escrevi?”;)


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